segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A educação em tempos do Twitter

José Manuel Moran
Especialista em projetos de mudança na educação presencial e a distância
Diretor de Educação a Distância da Universidade Anhanguera-Uniderp
Com todos os recursos móveis e em rede,
muitas questões nos desafiam como educadores:
1. O papel do professor muda cada vez mais: Ensina menos, orienta mais, articula melhor. Ele se aproxima mais dos alunos, se movimenta mais entre eles.
2. Os tempos das aulas se tornam mais densos, para realizar atividades interessantes, que possam ser pesquisadas, produzidas, apresentadas e avaliadas no mesmo espaço e tempo. São inviáveis as aulas de 50 minutos.
3. As aulas não se resumem só aos momentos presenciais. Aumenta a integração com os ambientes digitais, com os ambientes colaborativos, com as tecnologias simples, fáceis, intuitivas.
4. Os espaços se multiplicam, mesmo sem sair do lugar (múltiplas atividades diferenciadas na mesma sala). O conteúdo pode ser disponibilizado digitalmente. Predominam as atividades em tempo real interessantes, desafios, jogos, comunicação com outros grupos.
5. Há uma exigência de maior planejamento pelo professor de atividades diferenciadas, focadas em experiências, em pesquisa, em colaboração, em desafios, jogos, múltiplas linguagens. Forte apoio de situações reais, de simulações.
6. Ganha importância maior a presença do aluno-monitor, que apóia os colegas e ajuda o professor, tanto nas atividades como nas orientações tecnológicas.
7 Aumenta a integração de ambientes digitais mais organizados (como o Moodle) com recursos mais abertos, personalizados, grupais, informais (web2.0) em todas as etapas de um curso. Para motivar, ilustrar, disponibilizar, pesquisar, interagir, produzir, publicar, avaliar com o envolvimento de todos.
8. Quanto mais tecnologias, maior a importância de profissionais competentes, confiáveis, humanos e criativos. A educação é um processo de profunda interação humana, com menos momentos presenciais tradicionais e múltiplas formas de orientar, motivar, acompanhar, avaliar.
9. É imenso – e mal explorado - o campo de inserção da escola na comunidade, de diálogo com pais, bairro, cidade, mundo, com atividades presenciais e digitais.
10. Podemos ter modelos de organização de aulas, atividades e de materiais formatados para todo o país. Só não podem ser aplicados ao pé da letra nem ficarmos reféns deles. Podem servir como roteiros de orientação dos alunos, personalizando-os, dando-lhes a nossa cara, indo além do que está previsto.
11. A educação continuada, permanente, para todos, formal e informal, presencial e a distância, abre imensos horizontes profissionais, metodológicos, mercadológicos, que mal vislumbramos ainda. Tudo está para ser feito, experimentado e reinventado de forma diferente. A educação pode ser o campo mais fértil da reinvenção, porque todas as pessoas, em todas as idades e condições, precisam desesperadamente de ajuda em múltiplos campos: da formação inicial à super-especializada.
12. Diante de tantas mudanças, tudo o que fizermos para inovar na educação será pouco.
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Texto inspirado no meu livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 4ª ed., Campinas: Papirus, 2009.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Maria balbina - Babaia*

Uma mulher
Um homem embriagado
Abuso, covardia
mas o destemor venceu com uma mão de pilão
Mulher brejeira
Mulher trabalhadeira
Mulher gaiata e compenetrada; como?
Assim se fez respeitar
Assim fez o que deu na telha logo após a Proclamação da República
Eta "nega" arretada
Ama, lavadeira, criadora de galinha
Uma suavidade
Uma gentileza
Uma estraga neta
Uma mulher atemporal, cantadeira que só...
Uma mulher que só amou, não se prejudicou e nem a ninguém
Viveu de bem com a vida
* Bisavó de Conceição de Maria, tataravó de André Café
(Prof.ª Conceição de Maria da Silva Oliveira)
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
TRABALHO, ACIMA DE TUDO, CRIAÇÃO DE SI MESMO
O trabalho desenvolvido pelo profissional educador, intrinsecamente deve corresponder às perspectivas individuais que aspira na vida dentro de um contexto. Esta asserção pontua uma estrita correlação entre o que exerce e a teoria que realmente aflora quando atua, é patente a práxis. Um especialista da educação gere apenas a teoria? Muitas vezes, notifica-se esse posicionamento de quem não consegue traduzir, por alguma infeliz razão, seu trabalho em efetivação de algum projeto, na incapacidade de vivenciar uma ideia sistematizada que oferecerá aos alunos uma mudança de comportamento ao atingir a aprendizagem, como também porque não se encontra suficientemente bem consigo e apresenta uma resistência ao envolvimento coletivo da equipe.
Na esfera da coletividade, os elementos da ética que devem ser postos em prática perpassam pela condição básica de respeito ao ser humano - valor ético que deve embasar a reflexão do ponto de vista díspare da sociedade de classes, na qual uns vêem a subserviência como respeito, que produz a reverência ao servir sem indagações; enquanto que outros analisam que é uma honra às limitações do outro, ser parceiro e democrático ao escutar o outro. Uma prática de conduta democrática, em que os direitos valem de fato. Outro componente elementar ético está pautado na solidariedade que traduz um engajamento do esforço do todo.
No ambiente educacional de trabalho principalmente, há de se produzir o empenho na qual a interdisciplinaridade propicie a vida à aprendizagem. Para tanto, uns não podem se valer da agilidade do outro, alegando que seus “talentos” estão aquém do remunerado, ou tornando-se indiferente às ideias surgidas. Como bem enfatizamos, o trabalho individual que se realiza deve ser prestigiado, valorizado e direcionado à coletividade.
Importante mais ainda em tudo isso é trabalhar em harmonia, para fluir e manar todo potencial em latência dos grandes profissionais que adormecem. Caso contrário, há desenvolvimento de hostilidade, e bem sabemos que manifestado tal estado de sensibilidade impregna todo o ambiente; os demais se constrangem e são tolhidos de produzir melhor comprometendo a sua idoneidade no trabalho.
Trabalhar, portanto, com a educação, é questão de opção, senão tão logo, orienta-se e incentiva-se à descoberta da profissão que propicie auto-realização, pois concordando com Marx o homem cria a si mesmo pelo trabalho.
Seja feliz!
(Profª Conceição Oliveira, com colaboração de André Café)
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